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sexta-feira, 9 de julho de 2010

O que é a futilidade?

Novamente nos encontramos, na inevitabilidade determinística que permeia cada próton no universo. Logo que refutamos o tolo conceito de livre-arbítrio sentimo-nos como deuses entre os homens, detentores da sabedoria e únicos dignos de louvor. Todo o resto nos parece fútil, apesar de reconhecermos que ninguém deva necessariamente concordar conosco. Eis que surge o questionamento para os detentores de todo o saber: o que é a futilidade?

Não dizemos que alguém é fútil no mesmo sentido em que dizemos que alguém é italiano. Este último adjetivo refere-se a uma característica aparentemente intrínseca à pessoa que o possui: ter nascido na Itália. No entanto, a futilidade não faz parte da pessoa fútil, mas sim de seus atos. Assim, ao dizermos que alguém é fútil, geralmente queremos dizer que esta é uma pessoa que comete atos considerados fúteis. Entretanto, ainda estamos andando futilmente em círculos.

Nosso exercício começa com uma maçante dose de gramática. Obviamente, por mais tolos que vocês possam ser, todos concordam que fútil é apenas uma palavra, de modo que a grande importância encontra-se em seu significado: fútil é algo que não possui interesse ou importância. Poderíamos dizer que humano é algo que não possui interesse ou importância, logo, dizer que alguém é humano seria equivalente a chamá-lo de fútil, ou humanidade seria igual à futilidade. Particularmente, concordo com esta visão.

Assim, ao dizermos que alguém é fútil, estamos na verdade afirmando que tal indivíduo realiza atividades desinteressantes e/ou inúteis – ou estamos dizendo que tal indivíduo é desinteressante e/ou inútil. Espero que vocês, em suas débeis mentes mortais tenham enxergado o novo penhasco que se estende logo abaixo e no qual estamos prestes a nos jogar: o que determina se algo é interessante/útil ou não?

Essa pergunta nos lança no vórtex interminável e compreensivelmente amaldiçoado por todos: o relativismo. Esta é a lama pegajosa que permeia toda discussão séria e honesta sobre qualquer coisa e que me persegue por milênios.

Não existem valores importantes em si mesmos. A utilidade não é algo tautologicamente justificável. Nada, aliás, é tautologicamente justificável, exceto essa afirmação. O momento do indivíduo faz a importância da ação deste. Isso impossibilita apontar a futilidade de uma maneira sóbria, pois ela pode estar em todo o lugar, como um bêbado alegre e cambaleante. Assim, sem moral não há futilidade. Portanto, como não há uma moral intrínseca à matéria, concluímos que não existe uma futilidade suprema autojustificável.

Vocês geralmente atribuem a importância de suas atividades pífias aos seus valores morais igualmente adjetiváveis, e acabam por classificar as coisas em "importante ou inútil" analogamente ao que fazem com o "certo ou errado" e, muitas vezes, tais disposições são mutuamente influenciáveis – além de arbitrárias.

Uma vez que tais valores morais não existem por si mesmos, é fácil imaginar a vastidão de contrariedades entre indivíduos distintos. Se tentarmos, num ato hercúleo de bom senso, atribuir uma base moral mínima, ou canônica, comum a tudo, havemos de convir que ela deva ser a interseção entre todas as morais, uma vez que a união destas seria contraditória, enquanto que selecionar apenas algumas nos levaria novamente a tomar decisões arbitrárias e não sair do lugar. Meus dez milênios de vida concedem o conhecimento necessário para afirmar que tal interseção é vazia, mas justifico isso por um motivo muito simples: pedras não possuem moral, ou possuem moral vazia. Ou seja, conforme afirmamos tais parâmetros não são inerentes à matéria, mas "frutificaram-se" da experiência de vida da matéria insone.

Tal observação nos permite excluir a matéria livre – isto é, que não está "presa" em seres vivos – e considerar apenas a moral dos seres vivos em nossa busca por uma moral canônica àquilo que possui alguma moral. Agora a interseção não é vazia. Mas também não será romântica ou divinamente bondosa como muitos creem, iludidos por débeis infantilidades. A moral da vida é que a vida e somente a vida importa.

Individualmente isso se reflete no instinto da autopreservação e da perpetuação. Como seres vivos, é isso o que nos importa. Isso é necessário. O restante é opcional e arbitrário. Claro que, se levarmos em conta o determinismo, então novamente a moral se resume ao vazio, haja vista que não há escolhas de fato sobre o que fazer. No entanto, como máquinas, a moral instintiva funcionaria como uma regra básica, o algoritmo fundamental de nosso sistema operacional, pois não temos um script rígido a seguir elaborado pelas míticas tecelãs gregas, somos sistemas dinâmicos e nosso designer chama-se Seleção Natural.

Uma vez que a moral básica da vida foi estabelecida, perguntamo-nos: O que é fútil?

Ora, como fútil é aquilo que não tem importância e, segundo nossa moral a única coisa que importa é a vida, i.e., mantermos nossos corpos vivos e avivar mais matéria, chega-se à conclusão de que fútil é todo o resto! Segundo nossa moral canônica, tudo o que não ajuda a nos preservar ou a condenar mais amontoados de matéria à vida é desnecessário, opcional, fútil.

Dessa forma, discutir com pedras é algo trivialmente fútil, pois é desnecessário para a sobrevivência e perpetuação de qualquer indivíduo, donde segue seu status frívolo.

Analogamente, pelo ponto de vista da vida – e apenas pelo ponto de vista da vida –, o suicídio é algo fútil, pois ele não apenas não contribui para a autopreservação: o suicídio é o exato oposto do que prega a moral da vida.

Por outro lado, o assassinato de outrem é muitas vezes útil e aconselhável. Basta notar que a morte de alguém significa menos competidores em cena e, dessa forma, têm-se mais chances de sobrevivência para os que permanecem vivos, além de, obviamente, servir de alimento para o assassino, caso este seja carnívoro. No entanto, na vida em sociedade existem indivíduos – comumente chamados de amigos e/ou aliados – que auxiliam em nossa sobrevivência, de modo que neste caso seria desnecessário matá-los e, portanto, fútil.

Entretanto, discutir com pedras e matar não são as únicas coisas fúteis que existem. Eu não precisaria de dez mil anos de idade para citar o carnaval ou reality shows. Para encontrar a futilidade de coisas assim, vamos um pouco mais fundo no abismo da sobriedade.

Como máquinas dinâmicas, funcionamos através de estímulos e respostas aos diversos eventos "externos" a nós. A fim de um adestramento bem sucedido, a evolução nos equipou com um sofisticado sistema de recompensas: ao fazermos coisas úteis à nossa sobrevivência, sentimo-nos felizes e assim aprendemos que "é bom" fazer coisas úteis à sobrevivência. Da mesma forma, sentimos dor ao colocar nossas mãos no fogo, pois isto é estúpido e extremamente desaconselhável para a autopreservação. É nesse mecanismo de recompensas que se escondem as principais futilidades.

Ao invés de agirmos pautados pela utilidade, agimos pautados pela recompensa. Ao fazermos isso, tornamo-nos fúteis, isto é, agimos futilmente. E tal futilidade não se refere a parâmetros extremamente rigorosos. Agir em busca da felicidade é fútil sobre a moral canônica, ou seja, vai contra a preservação da vida. Os exemplos abundam.

Atividades físicas são úteis para a manutenção da saúde do corpo. Ao praticarmos exercícios, sentimo-nos felizes devido a substâncias químicas liberadas no cérebro. O alpinismo é uma atividade física. A conclusão é imediata.

Comer é algo bom que nos deixa felizes. Muitos comem para obter felicidade e acabam por perder o controle, colocando a saúde em risco e morrendo prematuramente – além de diminuir as chances de procriação.

O sexo é útil. Sentimo-nos felizes ao fazê-lo. Ao transar em busca de felicidade, o sexo deixa de ser o foco, de modo que é a satisfação que ele proporciona o que buscamos. Ao tornar tal atividade compulsiva… Bem, o sexo é a exceção, haja vista que quanto mais o fizermos maiores nossas chances de atingir um dos preceitos máximos da moral canônica.

O que quero com estes exemplos é justificar a seguinte afirmação:

A futilidade é agir em busca da felicidade pela felicidade.

Ou em termos mais gerais:

A futilidade é agir em busca da recompensa pela recompensa.

Essa é uma caracterização forte. Ela abrange tudo o que a maioria considera fútil, como preocupações com aparência, moda, diversão/distração, entretenimento, entre outras coisas.

Mas é claro que, tais conclusões baseiam-se sobre a moral que estabelecemos acima. Morais arbitrariamente mais complexas admitem conceitos de futilidade igualmente arbitrários e diferentes do que mostramos anteriormente.

Como, no final das contas, a moral não existe, no sentido de independer de indivíduos, a própria futilidade não existe, o que torna fútil o próprio conceito de futilidade. Ademais, como nada tem sentido, então nada tem utilidade e, portanto, tudo é fútil: você, este blog, e até mesmo eu.

Assim, não há como impedir que você seja fútil, ou, mesmo que houvesse um modo, tentar impedi-lo seria algo fútil, pois a preocupação com o seu status não tem utilidade. Seríamos um bando de cegos tentando regular a intensidade da luz para tornar o ambiente mais agradável. Mas na realidade, é exatamente isso o que somos. Pensando melhor, o que é a realidade?

3 comentários:

Cough disse...

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Adriano disse...

esse blog é podre naum tem nda de interesante

gelirt disse...

fúteis.... Belo post