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domingo, 17 de abril de 2011

Quem Dera Fosse uma Epifania - Versão_Alternativa

- Mas tu dissesse que estava tudo bem na semana passada!
- Ser dos infernos... - Bill disse, puxando forças dos pulmões antes de esbravejar - EU NUNCA DIRIA ISSO PRA VOCÊ! NÃO ME IMPORTA QUANTOS DOUTORADOS TENHA!
Era uma velha admiradora que ligava de novo. Uma velha, incansável e sádica admiradora. Ela ria baixo do outro lado da linha, divertindo-se com a irritação dele. Retomou sua voz de perdida para continuar seu hobbie predileto:
- Mas... Mas... Eu liguei aí e perguntei se podia ir, e você disse que eu podia Billyzinho.
- O que eu falei é que poderia ir pro inferno! - sorvia goles de café enquanto circulava a esmo por sua sala.

- E tu não vive dizendo que aí é o inferno? Oxi... Não entendo. Bazinga!
- Nossa, que infantil... As mesmas manias... O mesmo sotaque asqueroso... Falta me dizer que ainda existe um canyon entre os incisivos superiores e que ainda é interesseira. - pelo ponto fraco... A ofensa suprema, chamou-a de interesseira e sabia que isso destruiria qualquer possibilidade de continuarem a conversa.
- Olhe... - errou - Eu não sei porque é que tu acredita ainda nisso, que eu sou interesseira. Você sabe muito bem que não preciso de homem nenhum, e que quando eu quiser, consigo.
- Empatamos. Não sei porque é que você ainda acredita nisso também.
- Outra coisa! Também não entendo porque ainda conversa comigo se me acha tão desprezível assim.
- Educação, talvez. Note que, se eu deixasse de conversar com todas as pessoas que considero desprezíveis, minha quase nula vida social se extinguiria. Em outras palavras, é necessário minha cara Esmérubi, não é não?
- É necessário falar comigo?
- Não, com você não! - debochou contente, Bill adorava deixar no ar algumas sentenças, só para que pudesse dizer o contrário quando perguntassem - Levo como se fosse um jogo, sabe? Um jogo no qual a vitória é você desligar o telefone brava dizendo que nunca mais vai ligar. Está 57 a 0. E fico muito contente quando ganho.

- E quando tu perde, que que acontece?
- Oras... Não seja ridícula! Mesmo sendo no sentido figurado não existe essa chance quando se trata de alguma competição entre a gente.
- Hmm... E você acha mesmo isso? - agora, sem saber, ela quem quase fez Bill desligar, com sua retórica inútil. Poucas coisas o irritavam mais que alguém questionando algo que afirmasse.
- Por que pergunta?
- Porque estou chegando na cidade já, pro evento. E vamos competir...

- Que evento?!
- O encontro dos Cafematicos ué.
- E como você ficou sabendo?! - Bill cravejou sua mesa de café. A surpresa não permitiu que disfarçasse o pavor em sua voz. Esmérubi sorria, saboreando o efeito que causou.
- Não posso dizer. Mas se estiver online quem sabe possa perguntar a ele. Porque ele deve estar.

- NÃO! Justo ele?! - limpava a mesa com um paninho de chão bordado em azul-claro as palavras 'Freire. P.'

- Pois é... Quem provou dessa fruta aqui não esquece Billyzinho...
- Eu tenho certeza que não. Ótimo, que seja, confirmarei minha ausência ainda hoje.
- Como assim?! Você não vai?
- Tinha algumas suspeitas sobre uma tragédia acontecer por lá... Só nunca imaginaria que a tragédia se anunciaria por telefone...
- Hey! Que tal parar um pouco de me ridicularizar, hein?
- Não preciso. - pigarreou.
- Vai fugir de competir comigo então? Medinho de perder?
- Nunca. - corou.

- Sabia que não recusaria... É só pedir com carinho. - ria - Olhe, tem um posto policial aqui na estrada e estão parando as pessoas, vou desligar.
- Nossa, que pena... Estava tão boa a conversa.
- Guarde seu sarcasmo Bill... Estou levando comigo duas acadêmicas orientandas minhas, te falei?
- Guardo meu sarcasmo pra elas, então?
- Não! Elas quem irão competir por mim, com seus orientandos, sejam eles quais forem.

- Não tenho orientandos, tenho um orientando.

- Quando chegar acertamos como serão as regras. E escolho uma pra competir.

- Podem ser as duas.
- Duas contra um não é desleal?
- Que nada, ele vai gostar.

- E você acha que ele aguenta é?
- Até se fossem quatro.

- Ai como você é hein! Tchau!
- Até mais.
Breve tudo estaria na mais tranquila desordem de sempre...

2 comentários:

rmmezabarba disse...

O Universo conspira para que eu volte a escrever! Cara, ri muito! Simplesmente perfeito!

Severino disse...

meu medo era esse!